Tuesday, June 06, 2006


in Público, 5.6.2006

Estou espantado. Apesar das boas notícias que evidentemente nos agradam, pela extinção do fogo, pergunto-me como será possível um espinhaço provocar um incêndio. Deve ter sofrido muito, este pobre cão, já que para além da dor de ter espetado um espinho na pata ainda ardeu de uma ponta a outra. Realmente, há que ter cuidado com o que pisamos.

Mas para além disto, pergunto-me como se terá o espinho incendiado..é verdade que, sendo um espinho, provavelmente é feito de matéria vegetal (suponhamos que era um espinho de rosa ou mesmo uma lasca de madeira) e, como tal, arde facilmente. Mas como começou exactamente o espinho a arder? Onde é que o nosso pirómano cão meteu a pata, para a incendiar? (A única certeza que temos é que não meteu...a pata na poça...já que isso teria apagado um fogo, ao invés de o despoletar).

É muito estranho este caso do espinho do cão.

Talvez possamos procurar ajuda na descrição do espinho em si. Diz-nos o "Público" que se trata de um espinhaço - tratava-se, portanto, de um espinho grande, talvez até muito grande. Um espinho grande sugere que talvez não estejamos aqui a falar de um pequeno parasita orgânico alojado na pata do cão, mas de um pedaço de madeira de tamanho considerável. Eventualmente, poderia ser até maior do que a própria pata..

Será?

E depois temos “do cão”. Isto é, não se trata de um “espinho no cão”, mas de um “espinhaço de cão” – algo que, portanto, acompanha frequentemente e não apenas ocasionalmente.

Ora isto abre-nos um sem número de hipóteses, entre as quais uma que poderá ser a chave da nossa pesquisa – e se o cão em questão não estivesse vivo na altura do incêndio, e fosse apenas um cão de plástico ou um cão embalsamado? Por exemplo, um fiel amigo de muitos anos que a família decidiu conservar entre si, por exemplo embalsamando-o.

Não me ocorre melhor lugar para conservar um amigo embalsamado do que perto da lareira, onde a família se reúne com intimidade.

E – pressinto que estamos a chegar a uma solução! – questiono, como pode um cão embalsamado aguentar-se de pé? Não pode!

Um cão embalsamado precisa de uma base - uma base de madeira, por exemplo, ou, se quisermos..um espinhaço de madeira!

E lá está! O que provocou o incêndio não foi um espinheco de rosa num pobre rafeirito!

O incêndio começou quando uma rabanada de vento rebentou com as janelas da casa da família do cão embalsamado, atingindo com a sua força o pobre animal que – colocado sobre a lareira – foi cair à beira da mesma. O impacto da queda fez a base deslocar-se do animal e cair exactamente dentro da lareira com o efeito de uma bola de bowling: os troncos ardentes saltaram para fora, incendiando aos poucos o tapete, e daí as cortinas, os tectos de madeira e o resto da casa, até que nada restasse senão cinzas, uma notícia no “Público” e uma investigação virtual completamente idiota.